Ice age coming, Ice age coming...

A história do Lift começa há um bocado de tempo, coisa de dez anos, século passado! Voltamos até o ano de 1998 e o contexto é o até comum para o surgimento de boas idéias: ambiente escolar, muitos amigos, um deles sempre toca e tem um violão, alguns canos nas aulas e a história musical mundial sendo totalmente modificada, o que ouriçava a todos para aprender algum instrumento ou adquirir discos, fitas e cds das mais variadas bandas.

Naquela época, por incrível que parece, e-mail, mp3, blog, bittorrent* e todos esses termos do internetês soavam bem distante de todos nós. O que fazia com que conhecêssemos novas bandas e encarássemos novos estilos musicais vinha de permutas (trocas) de material com amigos e correspondentes via correio (é, carta mesmo!) que tinham gostos semelhantes. Fita cassete de 90 minutos e um walkman ainda era o supra-sumo tecnológico e consumista dos adolescentes.

Três amigos, Jonathas (É..., esse é o nome no RG do Jon), Lair e Luis viam uma afinidade pessoal e musical se consolidando e da mente desses três rapazes, surgiram as primeiras idéias e composições do Lift. Um amigo comum entre eles, Felipe (Barba, que na época tinha a alcunha de Asnésio – e para quem não sabe, esse é o nome do amigo-escoteiro dos sobrinhos do Pato Donald), também freqüentava os “luais” no intervalo das aulas, mas flertava copiosamente com estilos musicais mais rústicos (punk, hardcore e derivados), algo supostamente heterogêneo, mas que no futuro ajudaria a formar a identidade da banda.

Ao término do ensino médio (pôxa, ainda chamavam de segundo grau, colegial e sei lá mais o quê!), a idéia do Lift e seu vírus “letal”, o Liftomatosys viruses cada vez mais se apresentava em composições hora com tons românticos, hora filosóficos e idéias que fluíam (e fluem) na velocidade com que eram (e são) pensadas.

O ano de 2000 e todo o suspense em torno da virada do século, fez com que a idéia de se formar uma banda se concretizasse. Nas primeiras horas do dia 01/01/2000, Jon e Lair resolvem formalizar a banda e assim, com um simples “vamos montar uma banda”, criou-se o Lift. A Liftomatosys viruses dava seus primeiros palpitares.

Os anos foram se passando, e para alguns a inocência adolescente de mudar o mundo, por ironia do destino, acaba se transformando em responsabilidade, contas a pagar e carreiras a seguir. Nesse tempo, as apresentações foram poucas em um festival aqui outro ali, e por médios intervalos de tempo, a banda se limitava em composições e mais composições de Jon.

Em meados de 2004, a formação contava com Jon (vocal/guitarras), Edu (bateria – esse que Jon conhecera em outro projeto que ele teve, chamado Clãdestino), Lair (vocal/violão) e Barba (baixo). Ainda outros projetos de cunho pessoal e particular deixavam a banda num estado inercial, algo que se prolongaria até 2006.

A banda ClãDestino, formada em meados de 1997, teve sua principal formação com Ari (vocal), Jon (guitarra), Seco (guitarra), Edu (batera) e Sílvio (baixo). O som deles era uma mescla de Hip-hop com Rock – na mesma linha que o Planet Hemp ia em seu primeiro CD – e eles chegaram a tocar em diversos lugares da cena paulistana. A banda teve seu fim decretado com a morte de Ari (vocal) em um trágico acidente de carro que levou ainda outras duas vidas. Contudo, apesar dessa tragédia, a amizade, hoje com mais de 10 anos, entre Jon e Edu permaneceu.

Talvez por um lapso, ou um estalo momentâneo, em abril de 2007, Barba envia um e-mail aos integrantes do Lift, inspirado pela criatividade e qualidade das composições próprias, sugerindo uma volta, utilizando do famoso “não deixemos a peteca cair!”. Toparam, mas tínhamos uma baixa, Lair já estava ocupado com seus inúmeros projetos pessoais e teríamos de angariar um novo integrante, que teria como único pré-requisito: pensar como nós, talvez mais sucintamente, ter a mesma sintonia que temos um com o outro, algo que só quem tem ou teve banda entende. Foi difícil, foram poucos que compareceram e então pensamos, refletimos, e chegamos à conclusão que um trio seria a melhor e mais cabível solução. Maravilhosamente essa idéia se estende até hoje (claro, já pensamos em ter um quarto integrante novamente, mas isso está descartado, pelo menos nesse momento).

Datamos o surgimento do Lift que temos hoje, com 15 músicas prontas e um cd “no forno”, com mais 4 ou 5 músicas semi-prontas (com acerto de meros detalhes) e inúmeras e incontáveis idéias para o segundo cd (sonhar e pensar longe sempre fascinou o homem), para o dia 29 de abril de 2007. E uma das ações mais árduas que existe para alguém que tem uma banda, é rotulá-la quando ela não segue um estilo, próprio ou um script. Não fazemos parte de nenhum movimento e muito menos desgostamos de nenhum (temos gostos distintos e alguns em comum, mas isso é idéia para outro texto!). Nossas influências latentes são rock inglês e bandas que soam como inglesas. Não parece difícil, remete a Placebo, Radiohead, Muse, Strokes, Stereophonics, Verve, Coldplay e mais uma enormidade delas. Não podemos esquecer também da influência de outras bandas que não cabem nessa “divisão”: The Who, Pixies, Sonic Youth, Portishead e por aí afora, a lista, sem sombra de dúvidas, é enorme.

Nosso intuito é trazer uma satisfação mútua, pois sabemos que se algo nos agrada e nossos sentimentos podem ser apresentados em músicas, outras pessoas podem sentir a mesma sintonia que sentimos! O convite está feito... o risco é todo seu!

Escrito por Felipe Barba em 06/04/08 às 23h01.
Ouvindo Muse - H.A.A.R.P. Tour.